Em 01 de fevereiro de 2023, acessei os meus Registros Akáshicos para conversar com Alshaton e entender alguns paralelos entre meu Eu Superior, Ízamo, e eu. O tema inicial foi a sensação de sobrecarga e algumas novas perspectivas no que tange ao padrão de trabalhar em excesso. Em partes, já tínhamos visto em outros momentos a minha dificuldade em dizer não e em delegar tarefas. Minha tela mental se encontrava naquele instante dividida em duas, mostrando tanto memórias minhas quanto lembranças de Ízamo na época de sua juventude. Diferentes cenários se apresentavam na minha frente.
Ízamo passou muitas noites em claro tentando desenvolver tecnologias, estudando sobre alquimia, trabalhando em projetos que lhe solicitavam. Ao mesmo tempo, eu tive a minha parcela de noites em claro, tanto na época da Graduação e do Mestrado quanto no início do trabalho com as Pinturas Mediúnicas. Obviamente, todos esses processos faziam parte do aprendizado de ambos. Eu via Ízamo debruçado sobre a sua mesa de trabalho e estudos, infinitos livros atrás dele e itens que pareciam materiais de laboratório. De minha parte, um paralelo muito similar. Uma mesa de estudos e trabalho, livros, papéis, o notebook e, depois, meus vários materiais de pintura.
Aquele era o único foco, o que resultou em uma negligência quanto ao autocuidado e ao estresse por falta de descanso e lazer. Eu não apenas não descansava, mas me sentia culpada sempre que fazia isso e, em algum nível, isso ainda faz parte da minha vida e é algo que busco equilibrar melhor todos os dias. A culpa por querer parar, por desejar ter um momento de lazer, por querer me sentar, assistir a um filme, ver uma série ou fazer coisas que eu gosto sem trabalhar cem por cento do tempo. Sem me cobrar para ser produtiva ao máximo. Naquele dia, Alshaton deixou muito claro a existência de um peso que eu mesma coloquei sobre os meus ombros e a necessidade de ressignificar a crença de que a utilidade está associada à produtividade.
Naquela época, nós sequer tínhamos aberto o CNPJ de nossa empresa. Mas desde aquele instante Alshaton me repassou certos avisos. Dentro da nossa empresa, eu precisaria aprender a delegar. Nem tudo poderia ser feito por mim, ainda que eu passasse a supervisionar os processos. Saber delegar se tornaria uma responsabilidade minha. Hoje, eu percebo o quanto esse aprendizado me permite descobrir e desenvolver outros talentos, como a habilidade de gerir pessoas, organizar compromissos e estabelecer e ajustar novas estratégias. Cabe a mim o autopoliciamento para que esse padrão não venha à tona novamente e, caso ele se apresente, o compromisso de recalcular a rota é meu.
No dia em que fiz essa leitura, Alshaton me deu um desafio: mais tarde, quando finalizasse meus compromissos do dia, eu deveria fazer algo que eu gostasse pelo simples prazer de fazê-lo. Ele me sugeriu que eu lesse um pouco na luz do sol, saísse de casa, tomasse ar fresco e aproveitasse a natureza e o lugar em que eu me encontrava. Eu vivi muitos anos reclusa e estava num espaço onde tinha a oportunidade de estar em contato com a natureza como nunca tinha estado antes. Então, o questionamento era: por que eu continuava me trancando dentro de casa, fechada nas tarefas que precisavam ser cumpridas, quando havia um céu tão bonito lá fora?
Alshaton me lembrou que aqueles hábitos faziam com que eu buscasse até mesmo lanches rápidos ao invés de refeições saudáveis e completas, pois na minha mente eu estaria ganhando tempo. Amarga ilusão. Eu ganhava tempo para o trabalho, mas perdia tempo e qualidade de vida. Quando escolhemos carregar pesos supérfluos, abdicamos do que é realmente necessário para as nossas jornadas. O meu foco não estava no presente. Assim, eu não usufruía do que tinha, pensando apenas no que desejava concretizar. Eu não me permitia aproveitar a companhia agradável de outras pessoas ou um lugar em meio à natureza. Alshaton me perguntou: “Há quanto tempo você não faz isso?”
Aquela limpeza me traria calma para estar mais em paz comigo, buscando desenvolver cada dia mais o meu amor-próprio, bem como a paciência e a gentileza. Eu fui convidada a sentar no jardim, aproveitar a vista, sentir a natureza, respirar, aquietar a minha mente e o meu coração, ainda que por alguns minutos. Mesmo no que tange ao trabalho, Alshaton me mostrou algo que eu nunca tinha reparado. Eu terminava uma tarefa seguida da outra e sequer comemorava aquela conquista. Eu ia de uma tarefa para outra em um piscar de olhos.
Então, ele me orientou que eu parasse por um instante para agradecer. Agradecer a tarefa que tinha finalizado, por terminar o que tinha me proposto a fazer no dia, pela oportunidade de viver outras experiências além daquelas. Por vezes, o peso que colocamos nas coisas não existe além das nossas próprias mentes. Eu recebi um convite para viver a vida e todos os dias eu tento fazer algo que me conecte com esse desejo.
Há momentos em que o peso vem e eu me lembro das palavras de Alshaton. Busco delegar o que é possível, reorganizo o que é necessário, lembro-me de cuidar de mim e do meu corpo e, quando começo a me sentir sufocada, eu paro. Existe em mim uma força que nunca me deixa desistir. Mas foi preciso me reconectar com a sabedoria de perceber quando parar. Aos poucos, dia após dia, eu estabeleço limites mais saudáveis para mim mesma, um de cada vez. Agora, eu gostaria de te fazer uma pergunta e também um desafio. Quando foi a última vez que você se permitiu parar? Hoje, só por um instante, permita-se viver sem culpa.
Texto de Larissa Alves
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