Em novembro de 2022, numa conversa com Calisto, um dos guardiões de nossa egrégora e que se comunicou comigo por meio do João, fui instruída a abrir os meus Registros Akáshicos. Naquela época, eu havia recebido avisos de que começaria a trabalhar com as pinturas mediúnicas. Porém, sem acesso a um professor ou orientações diretas na matéria, sentia-me muito insegura quanto ao início do trabalho, em particular pela preocupação que sempre tive de trazer as informações e as energias com total respeito àquele que as recebe. Calisto me disse que, quando pequena, eu tinha pintado uma de minhas vidas aqui. Uma vida que precisava de cuidado. Chamo a atenção para o fato de que o João não sabia que eu guardava os desenhos que tinha feito desde 2009.
De fato, havia o rosto de uma mulher naquela pasta. Uma das poucas vezes em que senti de desenhar algo que não fosse um exercício de cópia, prática bastante comum para o treino nas artes plásticas. Em 15 de novembro de 2022, acessei os meus Registros Akáshicos e fui guiada por Shankar na presença de Ashtar e Akira, todos os três sempre muito presentes. Sakura, como me foi repassado, era uma mulher de cabelos negros, lisos e compridos. Pele branca, olhos de um azul-claro com leves toques de lilás. Ela se vestia com um belíssimo quimono cor-de-rosa. A paisagem revelava o Monte Fuji e muita neve. Um espaço em branco, que parecia ser de outro mundo.
Havia uma construção similar a um castelo. Um estilo japonês bem antigo, com decorações em ouro e construções de madeira. Tudo muito ornamentado e bonito. Muitas pessoas viviam ali dentro e eu era a filha do senhor daquele lugar. Eu era feliz ou acreditava ser feliz. Gostava de onde estava. Era amada pela minha família, pelos meus pais e pelas pessoas do lugar. A doçura em meus olhos derretia os seus corações. Até que, certo dia, um homem chegou. Alguém vindo de fora, com uma energia densa, escura e negra. E ali começou o meu desvio, quando percebi que nem mesmo a minha doçura tocava o seu coração.
Muito foi trazido acerca deste homem. Havia inveja dentro dele. Não admiração, como quando sonhamos em ter algo que outra pessoa também conquistou. Inveja é quando queremos o que o outro tem enquanto ele fica sem. Um busca lugar de igualdade. O outro deseja ocupar o mesmo lugar. Aquele homem queria o que eu tinha. Desde os bens materiais até a admiração e o amor das pessoas. Eu via a sombra em seus olhos. Ainda assim, na minha vontade de curá-lo de suas próprias mazelas, decidi lhe dar um voto de confiança e aqueles ao meu redor fizeram o mesmo.
Aquele rapaz era um excelente ator. Dissimulado, minava a alegria e a felicidade dentro de todos ao seu redor, em particular de mim. Eu me sentia angustiada, como se nada valesse a pena. Me cobrava cada vez mais por um ideal de perfeição. Talvez, se eu fosse mais perfeita, ele pudesse ser mais feliz. Contudo, nada era suficiente. O vazio era grande e a exigência cada vez maior. Ali, estabeleceu-se um vínculo tóxico entre uma personalidade narcisista e outra com o que hoje chamamos de complexo de salvador. E pode ser que esta seja uma das maiores feridas daqueles que se tornam terapeutas: a sensação de ser responsável pela cura do outro.
Quanto mais eu permanecia ali, mais o meu coração ficava apertado. Mais eu guardava tudo dentro de mim. Às vezes, no silêncio da noite, as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Mas eu não me permitia falar ou demonstrar. Ninguém poderia ver ou saber como eu me sentia. Ninguém entenderia e nem precisava carregar um fardo que eu acreditava ser meu, ainda que não o fosse. Eu fui enganada. Não por ele, e sim pela minha própria mente e imaturidade. Eu o amei sem saber que aquilo não era amor, pois vinha de um lugar de falta, escassez e solidão. Eu conseguia sentir compaixão por ele, no entanto, não conseguia senti-la por mim. Parte minha deixava que ele fizesse o que quisesse porque tinha a esperança de que um dia ele veria a luz.
O meu ideal até poderia ser considerado nobre. Entretanto, a busca pela salvação dele fez com que eu me perdesse no processo. Ele estava envolto nas próprias sombras e eu jamais poderia tirá-lo de onde ele estava. Em verdade, eu me deixei ser arrastada por ele para esse lugar. Eu assumi uma missão que não era minha e que eu jamais conseguiria cumprir, pois aquele homem gostava de estar ali. No escuro. Nas sombras. Ele não desejava salvação.
O fim da história foi ainda mais trágico. Eu deixei que as coisas seguissem ao ponto de me casar com ele e, depois, morri em suas mãos com um punhal no coração. A morte física foi apenas o ponto final de uma vida em que o meu amor-próprio, a minha autoconfiança, a minha felicidade e a minha alegria já tinham sido destruídos e minados há muito tempo. O ódio no coração desse homem era grande e a minha existência era uma afronta à sua dor. No final, não era sobre o que eu tinha ou as relações que eu mantinha, e sim sobre algo em minha essência que ele não conseguia ver dentro de si. Olhar para aquilo era doloroso. Seria como admitir que a única responsabilidade pela sua infelicidade era dele, e não do outro.
O momento de minha morte foi o único em que me permiti chorar e demonstrar vulnerabilidade pela primeira vez na frente de alguém. Talvez uma parcela de mim ainda pensasse que aquilo poderia lhe oferecer algum tipo de redenção. Eu via a dor dentro dele. Profunda. Mas nem eu nem ninguém poderia alcançá-lo ali. Eu ficava triste em pensar que alguém poderia sobreviver naquelas condições. Eu tinha plena consciência do meu destino e escolhi respeitar a decisão dele de seguir pelo caminho mais escuro. No meu coração, não valeria a pena viver se eu não pudesse ajudá-lo a se livrar de tanta escuridão, dor e tristeza.
Eu morri jovem demais. Ele conseguiu tudo o que queria. Dinheiro e posição social, além de privar o mundo da beleza, da energia e da pureza que eu tinha. Como resultado, eu me anulei inúmeras vezes para que essa pessoa assumisse o centro do palco num papel que nunca foi seu. E a verdade é que ele sempre pareceu grande demais, forte demais. Mas isso não passava de ilusão. Em verdade, essa pessoa era pequena, frágil e só tinha o poder que eu lhe dava. Um poder que sempre foi meu. Eu fui atraída até este ser pela energia que carrego, porque havia ali uma grande necessidade de transmutação.
Todavia, hoje eu compreendo que existem inúmeras formas de se fazer isso, ainda que seja apenas com a minha presença. Ir além dos meus próprios limites me fez definhar com o tempo, perdendo energia. Os aprendizados que tive com aquela experiência foram duros e profundos. No fim, não se tratava da dor ou da necessidade dessa pessoa. Tratava-se do meu posicionamento e das minhas escolhas. Eu aprendi ali que o outro é um universo inteiro dentro de si e assumir a responsabilidade pela vida ou pelas escolhas de outra pessoa é me colocar num papel de arrogância, em que acredito saber mais do que o outro.
A mim, cabe o desenvolvimento de limites saudáveis, o entendimento de que o outro tem o direito de cometer as próprias falhas e as únicas bagagens que devo carregar são as minhas. Muitas vezes, nós nos colocamos num papel de vítima porque nos recusamos a assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas e posicionamentos. Em nenhum momento ele me obrigou a permanecer onde eu estava. Eu fiz esta escolha. E o problema daquele que se vê como um salvador é que, no final das contas, ele não salva a ninguém, sequer a si mesmo. Calisto me trouxe com esse resgate uma importante lição: “Cuida do teu caminho. As sombras do outro são apenas o reflexo do que a sua alma deseja curar dentro de si.”.
Texto de Larissa Alves
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