DIÁRIO DE UMA VIAJANTE AKÁSHICA: POVLOK

No dia 26 de fevereiro de 2023, acessei os meus Registros Akáshicos. Alshaton conduziu a leitura e me trouxe uma vida do setor estelar de Vega, estrela localizada na Constelação de Lyra. Até então, eu nunca tinha lido ou visto em nenhum lugar a formatação do planeta em questão ou da sua população local. Lyra é normalmente associada aos seres de aparência adâmica e felina. Entretanto, o que acessei naquele dia foi algo totalmente distinto do que eu poderia imaginar, anterior ao período da ascensão. 

O local mostrado em minha tela mental era predominantemente desértico. A vida, especificamente em termos de sobrevivência, era muito dura na época da 3D. O clima era quente e seco. O céu do planeta era esverdeado e a sua atmosfera possuía uma maior concentração de enxofre. Os habitantes de lá tinham uma pele grossa. Eles não eram reptilianos, mas possuíam um tipo de couraça no lugar da pele como conhecemos. A título de comparação, a sua aparência se assemelhava a pedras de calcário. Alshaton me explicou que elas eram assim para protegê-los da desidratação devido ao clima, à temperatura e à escassez de água potável. A pouca água a qual tinham acesso era predominantemente subterrânea. 

As mãos e os pés daqueles seres tinham três dedos com garras em suas extremidades. Seus dentes eram pontiagudos e serrilhados. No centro de suas testas, havia a presença de um terceiro olho físico, ou seja, eles tinham três olhos, todos na horizontal. Não tinham um nariz, propriamente dito, e sim duas fendas em seus rostos. O seu sistema respiratório, embora presente, era bastante distinto do nosso, devido à necessidade de filtrar uma grande concentração de poeira e outras partículas no ar. Suas bocas eram apenas uma abertura no rosto e até mesmo as suas faces eram protegidas por essa couraça de calcário. A cor dos seus corpos era predominantemente marrom e bege, numa coloração próxima àquela das dunas de areia, como uma espécie de camuflagem. 

Os animais daquele lugar eram muito diferentes dos nossos, todos com uma couraça tão forte quanto a dos humanoides locais. As armas e tecnologias usadas para caça eram feitas para perfurar essas couraças. Havia ainda naquele planeta determinados seres que detinham o poder e que não ficavam satisfeitos quando a população adquiria certos conhecimentos ou quando se unia para superar o estado de sobrevivência e de fato constituir um coletivo civilizacional. 

Povlok, como se chamava o meu fractal que viveu naquele lugar, foi um professor que buscou trazer tecnologias a fim de que a vida em comunidade pudesse ser instaurada e as pessoas tivessem uma qualidade de vida melhor. Ele era muito prático e ensinava a população a construir essas ferramentas com as suas próprias mãos. Uma das coisas ensinadas dizia respeito às técnicas e aos instrumentos mais adequados para a caça. Assim, o povo poderia se alimentar melhor. Até então, embora próximo da ascensão, o local tinha uma tecnologia muito rudimentar. 

Vários dos governantes tinham acesso ao que Povlok tentava disseminar entre a população. Porém, devido ao seu baixo desenvolvimento moral, não era de seu intuito compartilhar esses conhecimentos com os demais. Em verdade, era de seu desejo que o povo permanecesse na miséria, com fome e sede. Para além do ensino técnico, esse fractal buscava provocar um progresso moral, que só poderia ser verdadeiramente alcançado quando as pessoas saíssem da escassez e da pobreza e deixassem de se preocupar com questões básicas de sobrevivência. Aos poucos, outros passaram a se unir a ele, inclusive antigos alunos. 

Até certo ponto, ele foi um revolucionário. Porém, a sua revolução não foi com armas, e sim com o poder do conhecimento. As tecnologias em si estavam disponíveis para a compra por parte da população. Todavia, a maioria não tinha condições de adquiri-las e o povo não era ensinado a produzi-las. Esse foi o foco de Povlok, ensinar as pessoas a construírem algo que elas já tinham conhecimento da existência, contudo, reconheciam somente o produto final. 

Ele também teve uma família que peregrinava com ele por aquele planeta. A esposa reconhecia o trabalho que ele tinha para fazer e o seu auxílio chegou a inúmeros assentamentos. Nessas viagens, ele carregava consigo somente o necessário e recebia em troca alimentos, acomodações e itens básicos. Povlok ia de povoado em povoado, ensinando aquelas pessoas a cavarem os seus próprios poços, dando-lhes acesso à água potável, demonstrando quais as melhores ferramentas voltadas para a caça, garantindo-lhes o alimento. Ele lhes ensinava, através do seu convívio em família e demais pessoas, o poder da união, da gentileza e do servir sem segundas intenções. 

Sua vida foi simples e humilde, porém, muito boa. Todavia, por ensinar a tantas pessoas, o seu ofício chamou a atenção de alguns daqueles que detinham o poder e que não estavam satisfeitos com o avanço intelectual e tecnológico que melhorava a vida dos governados. Era do desejo de consciências mais densas que a população permanecesse dependente. E, por um lado, havia bastante revolta dentro de Povlok, pois ele não entendia como alguém poderia ser tão mesquinho ao ponto de reter uma tecnologia necessária para a simples manutenção da vida. 

E esse era o ponto de desequilíbrio que precisava ser trazido para mim naquele momento. A revolta contra os que detinham o poder não faria a diferença. O que importava de verdade era devolver para o povo um poder que sempre foi dele. Era sobre mostrar para as pessoas que elas tinham poder de escolha sobre as próprias vidas. No fim, os momentos de raiva e revolta abaixavam a vibração de Povlok e o tornavam vulnerável. Qualquer semelhança com a nossa realidade na Terra não é coincidência. Alshaton me alertou para o fato de que preciso policiar os meus pensamentos e as minhas emoções, buscando focar naquilo que realmente fará a diferença e agir com mais consciência. Além disso, ele me disse que, conforme a nossa frequência individual e a vibração do coletivo forem se elevando, será mais fácil nos mantermos em equilíbrio, sem grandes oscilações. 

O que Povlok ganhava em troca do que ensinava não era o suficiente para que vivesse em meio ao luxo, mas era o bastante para viver com certo conforto. No final, após longos anos, tudo terminou relativamente bem. Aqueles governantes foram eventualmente retirados do poder e ele não se tornou um político ou governante, a despeito dos pedidos dos que foram seus aprendizes. Ele preferiu que a população escolhesse outro em seu lugar e deu continuidade ao seu trabalho como professor. Em troca, ele recebeu uma casa, um lugar onde poderia ter uma vida confortável, junto à sua família. 

Tal como as batalhas travadas por Povlok, nós vivemos as nossas todos os dias. As batalhas contra a ignorância e a falta de conhecimento. Lutas que eventualmente nos levarão a uma elevação de um estado de sobrevivência para um estado de consciência. E este será um dos momentos mais belos de nossas existências, quando percebemos que as batalhas não são vencidas sozinhas e o sonho de um mundo mais bonito só vale a pena quando todos forem capazes de usufruir dessa mesma realidade. A verdade é que não precisamos de mansões ou do carro do ano, e sim de uma atmosfera harmônica, onde todos possamos parar para admirar a beleza de uma borboleta em pleno voo.  

Texto de Larissa Alves 

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